Apresentando o discolado!
Escrito por discolado!
Sex, 08 de Julho de 2011 13:48
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André Midani, em suas próprias palavras, fez do disco sua vida. Simbolicamente, nasceu com o vinil e morreu com o download. Se visitasse hoje a seção de discos da Livraria Cultura, ficaria surpreso com a garotada que cresceu com o Napster dedilhando e comprando vinis.

 

 

Não há pretensão nesse post de analisar a história da indústria fonográfica e suas reviravoltas. Há apenas uma vontade de contar aos amigos, após aproximadamente um ano e meio de trabalho duro, de onde surgiu o desejo de montar o discolado. Amo, toco e coleciono música, mas nunca pensei em fazer disso um negócio. Meu negócio com o discolado, espero, será interagir e colocar em contato artistas independentes, colecionadores, vendedores de discos, estudiosos, viciados em baixar música e também os herdeiros de coleções maravilhosas que muitas vezes não se deram conta do que guardam em casa.

Há pouco tempo, o espaço musical era realmente limitado: era necessário selecionar cuidadosamente o que seria registrado em cada lado de um disco, o que seria transmitido pelas poucas estações de rádio e canais de televisão e o que seria exposto nas pequenas lojas de discos. A herança discográfica dessas últimas décadas, no entanto, cumulativamente tornou-se um sem fim. O universo hoje é tão grande que vez ou outra surgem novidades de 40 anos atrás, re-descobertas por alguém debaixo da poeira, disseminadas pelo boca-a-boca e, de repente, o músico até volta a fazer turnês e sucesso com duas gerações depois da sua.

Hoje, com a boa vontade e heroísmo anônimo de uma dúzia de blogueiros e seus colaboradores, conseguimos baixar quase tudo o que rolou no último século de música (quase tudo, pois embora cada vez menos, existem ondas que permanecem exclusivamente analógicas). O problema do monstruoso – e maravilhoso - acervo disponível na nuvem é que não há muita ordem ou método de catalogação definido. Procure saber detalhes específicos de um artista e sua discografia e você poderá ter dificuldades para encontrar.

Outro ponto importante para o nascimento do discolado foi um problema notado e sentido com os discos independentes. Onde encontrá-los além da saída dos shows dos próprios artistas? Muitos estão disponíveis para download, mas como ficam as pessoas que gostam mesmo é do disco, da capa, do encarte, da fita demo em K7 ou do que quer que seja palpável e colecionável? Por motivos não muito simples de compreender, a televisão não acabou com o rádio e a internet não acabou com o jornal impresso. O mp3 também não acabou com o disco. Por motivos ainda mais misteriosos, a demanda por discos, especificamente por vinil, vem aumentando consideravelmente. Muitos de nós nos comovemos com o fechamento da última fábrica de vinil da América Latina. Hoje estamos surpresos com a sua reabertura e adorando suas reedições e lançamentos maravilhosos em vinil.

Seguindo na mesma linha de pensamento, fica claro que o discolado não pretende tomar o lugar de nada ou ninguém. A intenção, primeiramente, é oferecer um espaço onde os amantes da música possam compartilhar seu conhecimento de modo coletivo e organizado. Equipe nenhuma conseguiria criar um banco de artistas e discografias melhor e mais diverso do que todos juntos, cada um com um pouco do que mais gosta. Seria interessante também catalizar o bom e velho boca-a-boca, que sempre nos propiciou descobertas musicais muito além das músicas fabricadas e veiculadas à exaustão. Nada como recomendações e comentários de amigos e outras pessoas comuns com gostos parecidos com os nossos. Por fim, seria ótimo poder ajudar as pessoas a encontrar os discos que desejam. Para isso, nada melhor que uma estante infinita, onde aqueles que já são vendedores teriam mais um espaço para expor os seus discos, os colecionadores poderiam encontrar o que procuram há anos, os artistas independentes poderiam finalmente indicar onde encontrar os seus discos e qualquer pessoa poderia botar para rodar aquela herança valiosa que falamos no começo.

A idéia é basicamente essa. Obviamente, no início as estantes estarão mais vazias. Mas com o espaço aberto para que qualquer pessoa possa cadastrar e colocar qualquer disco à venda, em qualquer formato, sem compromisso, é provável que o acervo cresça constantemente. Não haverá cobrança de assinatura, nem tarifa por anúncio, apenas uma comissão sobre os itens vendidos para cobrir os gastos de manutenção, hospedagem, a implementação de melhorias e, quem sabe no futuro - tomara mesmo que isso aconteça! - a transformação do discolado em um selo que apóie a gravação e distribuição de novos artistas.

Enfim, é isso, sejam muito bem vindos(as) ao discolado! Os discos foram feitos para rodar!

Oda Scatolini

P.S.: Este espaço está aberto à comunidade de blogueiros e blogueiras! Se você quiser publicar um artigo, opinião, resenha de um álbum ou seja lá o que for relacionado a música, entre em contato pelo Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Pode ser em texto, video ou áudio!

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Última atualização em Ter, 12 de Julho de 2011 19:09